Sepse Wars – Episódio 3: A Vingança de SIRS

12 abr

EP.3-vingança

“Ô Pedro, você disse que cabia debate se as novas definições deveriam ou não ser aceitas e não debateu foi nada!”

Sua falta de fé em mim é perturbadora, Padawan! Guardei um episódio inteiro dessa saga só pra falar do barraco que isso deu! Vocês já têm ideia do que mudou e os motivos pelos quais as alterações foram propostas, certo?

BELASEPSE

Pois bem, as novas definições foram propostas justamente por países em que há, hoje, uma aplicação excessiva dos protocolos de sepse[1].

“Como assim? ”

É aquilo que nós conversamos: os parâmetros de SIRS são extremamente sensíveis, mas muito pouco específicos, de modo que muita gente que não tem sepse – entenda sepse aqui como uma infecção associada à disfunção orgânica – acabaria sendo tratada como sendo portador de sepse, entendeu?

“E aí?”

E aí que isso não agradou nem um pouco o ILAS -Instituto Latino Americano da Sepse-, que inclusive emitiu uma carta aberta ao público (Anexo 1) explicando suas razões. O cerne dos argumentos propostos foi o fato de as definições terem sido propostas por especialistas exclusivamente advindos de países desenvolvidos, o que acabou negligenciando as necessidades dos países mais pobres. É justamente nesses países (onde o Brasil se inclui) que a sepse é menos conhecida, menos diagnosticada, e tratada de maneira mais tardia, o que aumenta os gastos com tratamento, tempo de internação e mortalidade dos pacientes. Pra que você tenha uma ideia, a mortalidade da sepse no Brasil, segundo o próprio ILAS, chega a assustadores 65%! Enquanto isso, nos países desenvolvidos, essas taxas caem para (ainda assustadores) 30% (Anexo 1). E não pense que só a América Latina se levantou contra essas definições, não! A Associação Norte Americana De Especialistas em Tórax [2] também não ficou nada contente (Anexo 2)!

CHICOSEPSE

E isso sem falar nos questionamentos metodológicos e científicos que os estudos [3] que suscitaram a criação do Sepsis-3 têm levantado. Teria o novo consenso sido formulado pelo Lado Negro da Força?

Infelizmente essa parte (enorme) vai ficar pra outro episódio, beleza? Pode me cobrar! (Eu sei que você vai me cobrar…)

O questionamento que fica , diante desse cenário, é: nós estamos prontos para afunilar o gargalo diagnóstico da sepse? Ou será que ainda é proveitoso batalhar pelo diagnóstico e pela difusão desse conhecimento na população com métodos mais sensíveis?

Olha… Quem é Jedi e quem é Sith nessa história eu não sei, somente o tempo e a comunidade científica dirão… O que eu sei é que é dever ético de todo bom médico frente ao seu paciente conhecer muito bem os protocolos, saber quando e como aplicar suas recomendações (e quando NÃO aplicar também!!), portanto, já pro estudo! Aproveita que o pessoal da Sala Vermelha é gente fina e faz o trabalho pra você. É só clicar nos links aqui embaixo pra ler as referências na íntegra!

Referências bibliográficas:
[1] Vincent J-L, Opal SM, Marshall JC, Tracey KJ. Sepsis definitions: time for change. Lancet. 2013;381(9868):774-775
[2] Simpson SQ. New Sepsis Criteria: A Change We Should Not Make. Chest. 2016 Feb 26. pii: S0012-3692(16)41523-0. doi: 10.1016/j.chest.2016.02.653. [Epub ahead of print] PubMed PMID: 26927525.
[3] Seymour CW, Liu VX, Iwashyna TJ, Brunkhorst FM, Rea TD, Scherag A, Rubenfeld G, Kahn JM, Shankar-Hari M, Singer M, Deutschman CS, Escobar GJ, Angus DC. Assessment of Clinical Criteria for Sepsis: For the Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA. 2016 Feb 23;315(8):762-74. doi: 10.1001/jama.2016.0288. PubMed PMID: 26903335.

Perdeu os últimos episódios dessa saga? Confira aqui!

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Que a força esteja com você! =)

 

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