Sepse Wars – Episódio 4: Novas Esperanças!

17 abr

SEPSE WARS IV

É, Padawan… Não parecem dias fáceis para tentar compreender a sepse, não é? A sensação de que nem mesmo as maiores autoridades do assunto são capazes de chegar a um território comum é inevitável. Diante desse cenário nebuloso, o que esperar para o futuro? Existe esperança?

Aparentemente, sim. Percebam que as doenças graves potencialmente tratáveis hoje são as grandes síndromes do passado, tome o câncer como exemplo. O que mudou ao longo do tempo? Foi justamente a nossa perspectiva: passamos a identificar substâncias produzidas pelas células tumorais na corrente sanguínea [1], descrevemos tipos celulares específicos, os relacionamos a perfis específicos de pacientes [2], fomos capazes de determinar receptores hormonais e bloqueá-los de uma maneira altamente eficaz [3]. Tudo isso mudou não só o diagnóstico como as perspectivas de tratamento. O que dizer da relação entre troponina e dano miocárdico, então? [4]

“Cara, o post não era sobre sepse?” Sim, Padawan. Com essa conversa, eu quero chegar ao ponto de que muito vem se trabalhando para desenvolver/descobrir um marcador fidedigno de sepse [5]. Sabe? Uma espécie de “sepsina” que a gente solicite junto ao laboratório e ela me indique se existe ou não sepse nesse paciente. Alguns esforços já vêm sendo empregados e chegamos a algumas citocinas, marcadores de superfície celular e outros marcadores que, se colocados sob um sistema de escore, poderiam indicar a presença ou não dessa síndrome [5,6]. Porém, nada poderia ser tão fácil. Na sepse, os perfis inflamatórios são muitos, cada um deles com prognósticos e perspectivas diferentes que, pra piorar e terminar de nos confundir, flutuam com o curso natural da doença [6], saca só esses gráficos (não pule os gráficos!):

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Gráfico 1: Demonstração de como ocorre a resposta de um indivíduo normal a um insulto de maior gravidade. Adaptado de Kumar A, et al. Virulence. 2014.

 

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Gráfico 2: Demonstração de como ocorre a resposta de um indivíduo imunossuprimido a um insulto de natureza infecciosa. Adaptado de Kumar A, et al. Virulence. 2014.

 

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Gráfico 3: Demonstração de como ocorre a resposta de um indivíduo cujo foco infeccioso não foi controlado. Adaptado de Kumar A, et al. Virulence. 2014.

 

“E o que eu tenho a ver com isso?” Você está imerso numa realidade em que nós nos vemos diante do desafio não só de diagnosticar a sepse, mas identificar em que fase da resposta inflamatória está um indivíduo, para atuar de maneira individualizada de acordo com o perfil que ele exibe. Complexo, né? Pois é, não bastasse tudo isso, existem pontos de intersecção entre os diferentes perfis (Gráfico 4).

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Gráfico 4: Agora complicou? Que nada! São só os três perfis que nós já te mostramos sobrepostos. Perceba como existem fases de intercessão entre eles e imagine como isso dificultaria a diferenciação de um perfil do outro. Adaptado de Kumar A, et al. Virulence. 2014.

 

Individualizar a conduta é fundamental e estamos engatinhando rumo ao caminho certo. Sacou o tamanho do problema? Muita água vai rolar e nós da Sala Vermelha vamos trabalhar dia e noite pra te entregar o que tiver de mais novo!

Referências Bibliográficas
[1] Steele SR, Chang GJ, Hendren S, Weiser M, Irani J, Buie WD, Rafferty JF; Clinical Practice Guidelines Committee of the American Society of Colon and Rectal Surgeons. Practice Guideline for the Surveillance of Patients After Curative Treatment of Colon and Rectal Cancer. Dis Colon Rectum. 2015 Aug;58(8):713-25. doi: 10.1097/DCR.0000000000000410. Review. PubMed PMID: 26163950.
[2] Sugarbaker DJ, Dasilva MC. Diagnostic workup of lung cancer. Surg Oncol Clin N Am. 2011 Oct;20(4):667-79. doi: 10.1016/j.soc.2011.08.003. Review. PubMed PMID: 21986264.
[3] Lalwani N, Prasad SR, Vikram R, Shanbhogue AK, Huettner PC, Fasih N. Histologic, molecular, and cytogenetic features of ovarian cancers: implications  for diagnosis and treatment. Radiographics. 2011 May-Jun;31(3):625-46. doi: 10.1148/rg.313105066. Review.  PubMed PMID: 21571648.
[4] White HD, Thygesen K, Alpert JS, Jaffe AS. Clinical implications of the Third  Universal Definition of Myocardial Infarction. Heart. 2014 Mar;100(5):424-32. doi: 10.1136/heartjnl-2012-302976. Epub 2013 Apr 27. Review. PubMed PMID: 23624485.
[5] Cho SY, Choi JH. Biomarkers of sepsis. Infect Chemother. 2014 Mar;46(1):1-12. doi: 10.3947/ic.2014.46.1.1. Epub 2014 Mar 21. PubMed PMID: 24693464; PubMedCentral PMCID: PMC3970312.
[6] Kumar A. An alternate pathophysiologic paradigm of sepsis and septic shock: implications for optimizing antimicrobial therapy. Virulence. 2014 Jan 1;5(1):80-97. doi: 10.4161/viru.26913. Epub 2013 Nov 1. Review. PubMed PMID: 24184742; PubMed Central PMCID: PMC3916387.

Confira toda a nossa saga aqui!

Que a força esteja com você, Padawan! Sempre! =)

 

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