Temporada de caça!

28 abr

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Temperaturas mais baixas, pessoas aglomeradas, janelas fechadas que não mais permitem a circulação de ar, espirros, tosse, mal-estar…  Te lembra alguma coisa? Está aberta a temporada de caça às infecções do trato respiratório! E aí surge o dilema:

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“Afinal, como fazer o diagnóstico? Quando devemos iniciar terapia antiviral? E mais: quando devemos iniciar a terapia antimicrobiana? “

Patolino, fica tranquilo que a galera da Sala Vermelha não vai te deixar na mão! As síndromes gripais são definidas pelo Ministério da Saúde como síndromes febris de início súbito, sem outro diagnóstico específico, que podem ser acompanhadas de tosse, dor de garganta, mialgia, cefaleia e artralgia. Outros sintomas que podem ser encontrados são calafrios, cefaleia, prostração e rinorreia. E o que há de problema nisso, velhinho? Definições muito inespecíficas, não? Então, para tentarmos acertar o tratamento na maior parte dos casos, nós precisamos nos basear nos fatores que levam a maior mortalidade e sinais de piora clínica para traçar nossas condutas, faz sentido?

Assim, o primeiro passo ao recebermos um paciente com uma aparente síndrome gripal é determinar se ele possui algum desses sinais de agravamento, que nada mais são do que sinais que sugerem cursos de doença mais graves:

Tabela 1

Agora a gente pode começar a separar temporada de coelho da temporada de pato: se nosso paciente não exibe algum desses sinais, dizemos que ele tem uma Síndrome Gripal, algo inespecífico e que será acompanhado ambulatorialmente. Se ele exibe ao menos um dos quatro primeiros sinais (desconforto respiratório, SatO2<95%, hipotensão ou descompensação de uma patologia de base) ele é classificado como portador de uma Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que por si só determina a internação e o uso de antibióticos de forma empírica. Seja mais intervencionista com o paciente mais grave!

“Ué, e pra que servem os outros quatro indicadores de gravidade então? ”

Você não dá uma bola fora, hein! Os demais fatores de agravamento da doença determinarão, dentro do paciente com Síndrome Gripal, o início ou não do antiviral – Oseltamivir (Tamiflu®) – mesmo em regime de ambulatório.

Ora velhinho, nosso próximo passo é determinar se nosso paciente possui fatores de risco para maior mortalidade nas síndromes gripais, que, por sua vez, são determinados por condições pré-existentes que tendem a evoluir com um curso menos favorável ao longo do tempo. São elas:

Tabela 2

“Pedro, pra que esse trabalho todo? ”

Pernalonga, esses dois passos buscam acessar o risco do seu paciente frente ao quadro clínico que ele exibe. Como se trata de uma condição de difícil confirmação diagnóstica, nós optamos por tratar embasados pela gravidade clínica à apresentação, certo?

Agora que você já teve essa trabalheira toda, ficou mole tratar! Presta só atenção:

Se seu paciente foi classificado como portador de uma Síndrome Gripal, não possui fatores de risco ou sinais de piora do estado clínico (lembra daqueles últimos quatro que você achou que eu tinha esquecido? Então, eles entram aqui!), o tratamento é realizado com sintomáticos e aumento da ingestão de líquidos. Se ele exibe fatores de risco ou piora do estado clínico, acrescentamos o Oseltamivir à receita e ambos serão acompanhados ambulatorialmente.

Agora, do lado mais grave, se seu paciente foi classificado como portador de uma SRAG, o caso pode ser mais complicado, mas o manejo é simples: antibioticoterapia empírica, antivirais, hidratação venosa e monitorização da saturação de oxigênio e dos demais parâmetros necessários.

“Parece com a sepse! ”

Aprendeu no SepseWars né?! Muito bem! Só fica ligado se o seu paciente tem ou não indicações para internação em Unidade de Terapia Intensiva ou se ele pode ficar ali pela emergência mesmo!

Por hoje é só pessoal, muita informação, né? Só que é óbvio que o pessoal da Sala Vermelha é muito gente fina e adaptou um fluxograma do Ministério da Saúde pra você ter com você aí no plantão e fixar tudinho que precisa!

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Adaptado de: Protocolo de tratamento de Influenza, 2013 – Ministério da Saúde

 

Aproveita o tempo do café no seu plantão pra dar uma olhada nas nossas leituras sugeridas!

Referências bibliográficas:
[1] – Protocolo de tratamento de Influenza, 2013 – Ministério da Saúde
[2] – Uyeki TM. Preventing and controlling influenza with available interventions. N Engl J Med. 2014 Feb 27;370(9):789-91.
[3] – Síndrome Gripal/SRAG – Classificação de Risco e Manejo do Paciente – Ministério da Saúde

Leituras Sugeridas:

  • Síndrome Gripal/SRAG – Classificação de Risco e Manejo do Paciente – Ministério da Saúde, acesso gratuito aqui!
  • Protocolo de tratamento de Influenza, 2013 – Ministério da Saúde, acesso gratuito aqui de novo!
  • Não sabe o que é Síndrome de Reye? Confere aqui, acesso gratuito também!

Isso é tudo pessoal! Um abração!

@pfribeiroSV

 

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