Guerra Mundial Z(ika): Episódio 1

5 maio

É… a Zika não está dando mole não. Dá uma olhada então nesse gráfico assustador da Organização Mundial de Saúde!

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Hoje, vamos explorar a fundo o nosso inimigo. Como já dizia Sun Tzu, precisamos conhecer os seus detalhes e mergulhar nas suas minúcias… Vamos lá?

O Zika Vírus (ZIKV) é um arbovírus que pertence à família Flaviviridae (lembram dela? A mesma família dos famosos vírus da Dengue, Febre Amarela e Hepatite C) [1], isolado pela primeira vez em 1947 (pasmem, há 69 anos!) a partir do sangue de um macaco Rhesus sentinela, na Floresta Zika, em Uganda. O seu principal vetor, responsável pela epidemia no Brasil, é o conhecidíssimo Aedes aegypti.

“É aquela espécie de mosquito tinhosa, que pode se reproduzir na água de uma minúscula tampinha de garrafa, e seus ovos resistentes podem sobreviver à seca por mais de um ano?” [2]. Você nunca me decepciona, não é mesmo? Isso aí… Por conta dessas características, esse mosquito leva os nossos órgãos de controle de vetores à loucura!

E, como se não bastasse tudo isso, o vírus foi encontrado no sangue, no sêmen, na urina e em amostras de saliva, já havendo evidências de transmissão sexual e perinatal [2]. Ou seja, o ZIKV não precisa nem da ajuda dos zumbis, pois já se dissemina de maneira avassaladora.

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“Você não sabe do que eu sou capaz!”

 

“Mas e a doença causada pelo ZIKV?”

Apressadinho, é nesse ponto que o episódio de hoje quer chegar!

A doença causada pelo nosso inimigo muitas vezes apresenta sintomas leves ou não-específicos [1], semelhantes a outras infecções causadas por arbovírus, como Dengue e Chikungunya [2]. Inclusive, esses diagnósticos são frequentemente confundidos pelos médicos nas emergências.

Pensando nisso, a Sala Vermelha adaptou esta tabela, que julgamos ser de grande utilidade pública! Ela mostra as principais diferenças entre as manifestações clínicas dessas 3 doenças.

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É sempre bom lembrar que a Febre Amarela, apesar de não estar nessa tabela, também entra no diagnóstico diferencial, sendo muito importante a sua exclusão!

Mas focando na Zika, nossa inimiga de Guerra, podemos dizer que é uma doença autolimitada, normalmente com duração de 4-7 dias, sendo a sua terapia baseada apenas no alívio dos sintomas. O prognóstico após uma infecção aguda é considerado bom, geralmente com completa recuperação [1].

O grande problema é que esse vírus não para por aí…

Apesar de, felizmente, ser incapaz de transformar o mundo em um cenário de The Walking Dead, já existe consenso científico de que o ZIKV pode desencadear consequências desastrosas ao tecido nervoso [3], sendo as principais delas a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) e a Microcefalia.

Mas esses são temas para os próximos episódios!

Até breve!

Referências Bibliográficas:
[1] – Araujo, Lucas Masiêro, Maria Lucia Brito Ferreira, and Osvaldo JM Nascimento. “Guillain-Barré Syndrome Associated With The Zika Virus Outbreak In Brazil”. Arq. Neuro-Psiquiatr. 74.3 (2016): 253-255. Web.
[2] – Paixão, Enny S. et al. “History, Epidemiology, And Clinical Manifestations Of Zika: A Systematic Review”. Am J Public Health 106.4 (2016): 606-612. Web.
[3] – “Zika Situation Report”. World Health Organization. N.p., 2016. Web. 19 Apr. 2016.

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