A Síndrome do Coração Partido – Parte 2

16 jun

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Olá! Neste mês dos namorados a Sala Vermelha está tocando o coração de muita gente! No dia 12 falamos um pouquinho sobre a Sindrome de Takotsubo com nosso romântico professor Pedro. Como todo início de namoro, sempre fica aquele gostinho de “quero mais”. Então vamos lá!!! Síndrome de Takotsubo vai partir seu coração mais uma vez.

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Sei que você, leitor assíduo do nosso blog, ja domina os conceitos básicos da doença. Já tem a sagacidade, que poucos possuem, para desconfiar desse diagnóstico. Hoje vamos falar um pouquinho mais de fisiopatologia, prognóstico e tratamento.

Embora a fisiopatologia dessa doença seja um daqueles temas que até os especialistas mais sinistros não conseguiram explicar direitinho, já rolam algumas suspeitas fortíssimas em relação a seu funcionamento. Pacientes com Takotsubo têm níveis de catecolaminas mais altos do que os com infarto agudo do miocárdio (IAM) – importante diagnóstico que deve ser afastado [1]. Nossa discussão de hoje vai girar justamente em torno desse tema! Dá uma espiada neste esquema aqui:

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Lembra do sistema límbico? Ele é o sistema que “teve trabalho” neste mês dos namorados. O sistema que tem relação direta com as emoções. Mas não são apenas as emoções boas, como um beijo apaixonado, que o ativam. Nos estresses físicos e emocionais, o sistema límbico estimula a liberação de catecolaminas que vão induzir a toxicidade dos miócitos [3].

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Antes de continuar, quero estimular seu sistema límbico relembrando um ótimo momento do nosso texto publicado no dia dos namorados. Dá uma olhada nesta foto!

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Lembrou do nosso texto anterior? Dos japoneses? Do polvo? Do formato do coração?

A síndrome de Takotsubo é uma disfunção transitória de VE, geralmente desencadeada por estresse, com hipocinesia apical importante, conferindo aspecto em balão ao ventrículo [4].

“Bruno, mas não estávamos falando de catecolaminas?” E ainda estamos! O formato que esse coração vai apresentar é resultado, justamente, dessa história toda das catecolaminas. A região apical do coração é a mais sensível à ação das catecolaminas. É por isso que a atividade tóxica nos miócitos vai ser mais “exagerada” nessa área, levando a uma hipocinesia apical.

Mas o que eu faço com esse paciente? Bom, voltando ao nosso momento flashback, lembrando das palavras do nosso amigo Pedro, o diagnóstico de Takotsubo é de exclusão, lembra? Nosso paciente vai apresentar alterações no segmento ST e elevação dos marcadores de necrose miocárdica, o que facilmente, vai ser abordado na fase aguda como uma síndrome coronariana aguda. Se você tem alguma dúvida em relação a esse tratamento, fica de olho que a Sala Vermelha vem trazendo novidade por ai! Mas não vou te deixar boiando no assunto, né? O pacote é composto por AAS (a famosa aspirina), outro antiagregante plaquetário, anticoagulante, nitrato, betabloqueador, morfina, estatina e oxigenoterapia [1]. Claro que há várias particularidades nessa conduta de acordo com o paciente, mas não quero dar spoiler do que vem por aí!

“Mas é esse o tratamento pra Takotsubo?”

Não, esse pacote nós só vamos fazer até fechar o diagnóstico de Takotsubo. Assim que “batermos o martelo” podemos descontinuar esse bolo de medicamentos e deixar só o betabloqueador associado a um IECA (inibidor da enzima conversora de angiotensina).

“Bruno, eu gosto de finais felizes”

Ok, ok, temos um final feliz. A maioria dos pacientes tem um prognóstico muito bom, com recuperação total da função ventricular [5].

Mas nem tudo são flores, né?

Alguns indivíduos permanecem com insuficiência cardíaca sistólica. Outro achado importante é a rotura do miocárdio.

Mas chega de história triste! Este mês a Sala Vermelha está tocando o seu coração e vai te emocionar com uma novidade espetacular! Até a próxima!
Referências:
1- Maciel BA, Cidrão AA, Sousa IB. Pseudo-acute myocardial infarction due to transiente apical ventricular dysfunction syndrome (takotsubo syndrome). Rev Bras Ter Intensiva. 2013;25:63-7.
2- Pelliccia F, et al: Takotsubo syndrome (stress cardiomyopathy): an intriguing clinical condition in search of its identity, Am J Med 127:699-704, 2014.)
3- Nóbrega S, Brito D. Miocardiopatia Takotsubo: estado da arte. Rev Port Cardiol. 2012;31(9):589-96.
4- Lemos, AE; JuniorAraújo, AL; Lemos, MT; Belém Lde, S; Vasconcelos Filho, FJ; Barros, RB. Broken-heart syndrome (Takotsubo syndrome). Arq Bras Cardiol. 2008;90(1):e1-3.
5- Silva VLLG, Hisano DK, de Aquino RTR, Magliari MERM, Almeida JAF, Almeida JD, et al. Broken Heart Syndrome (Síndrome de Takotsubo, Cardiomiopatia do estresse): Relato de Caso. Arq Med Hosp Fac Cienc Med Santa Casa São Paulo. 2008; 53:125-9.

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