Sepse: Acordo à Vista?

26 jan

SEPSE

Sepse: proposta de consenso à vista!

É isso aí mesmo, pessoal! Você deve ter acompanhado a saga da Sepse em 2016 e certamente percebeu que foi polêmica, não é mesmo? (Se você ficou por fora, não perde tempo e se liga aqui na série que a Sala Vermelha montou: http://svblog.com.br/sepse-wars).

De forma bem resumida, a Society of Critical Care Medicine e a European Society of Critical Care Medicine propuseram uma mudança drástica nas definições de Sepse cunhadas em 2001 [1], incorporadas ao Surviving Sepsis Campaign 2012, e chamaram o novo documento de Sepsis 3 [2]. É claro que esse movimento da maré chacoalhou os barcos das mais diversas sociedades, promovendo muita polêmica. No sentido de tentar apaziguar essa reviravolta, o Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) e a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) emitiram, em dezembro, um documento que parece encontrar terra nesse mar agitado[3].

As mudanças propostas são diversas e estão todas bem detalhadas na nossa famosa saga Sepse Wars, que você pode acompanhar aqui (link). A questão é que nós estávamos à deriva até o momento sobre aspectos práticos que as mudanças propostas implicariam.

“Como interpretar as novas definições? ”

“Para que servem o SOFA e o qSOFA, afinal? ”

GIF SOFA

“Quando eu estou autorizado a indicar o protocolo de sepse? ”

“A partir de que momento eu fecho o diagnóstico de sepse/choque séptico? ”

Para nossa felicidade, essas questões parecem respondidas com recomendações assinadas tanto pela ILAS, quanto pela AMIB, que se preocuparam em conceber respostas que atendessem às demandas de um país como o Brasil. Vamos a elas?

sepsis3Definição ampla de Sepse, pelo Sepsis 3

1 – O novo consenso brasileiro deixa muito claro que a nova definição defendida pelo Sepsis 3 deve sim ser usada! Isso significa que disfunções orgânicas atribuíveis a uma resposta sistêmica inapropriada à infecção (hipotensão, hiperlactatemia e alteração no nível de consciência, por exemplo) devem sim ser reconhecidas precocemente, já que indicam um pior prognóstico. Mas fiquem atentos: essa definição é abrangente e envolve parâmetros inclusive não incluídos no SOFA score, como hiperlactatemia, por exemplo! Disso, nós concluímos que SOFA não é SEPSE, certo?

2- O sistema de pontução SOFA, segundo a ILAS/AMIB, deve ser utilizado somente no escopo de ensaios clínicos e tem papel limitado na prática clínica. Nesse sentido, a detecção de infecção do primeiro atendimento deve ainda ser feita com base na detecção dos critérios da Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) e de disfunção orgânica; isso também parece ser válido para o início da abordagem terapêutica. Há ainda uma ressalva importantíssima: a capacidade diagnóstica da SIRS dentro do ambiente de terapia intensiva é muito limitada e, por isso, não deve ser aplicada a esse cenário.

SALAGRAFICOCritérios da SIRS

3 – O qSOFA deve ser implementado somente no sentido de identificar o paciente com maior risco de mortalidade; dessa forma, um paciente que se apresente com dois ou três dos critérios, caso tenha algo suspeito para infecção, deve ser rastreado para sepse.

qsofaCritérios do qSOFA

Desse modo, alguns dos questionamentos feitos foram, finalmente, contemplados, não acha? Parabéns à ILAS e à AMIB por estarem se fazendo tão presentes neste momento de indefinição! Avante, ciência!

Em caso de mudança de maré, contem com a Sala Vermelha para te alertar! Ao que tudo indica, estamos próximo a um período de calmaria… Mas que tempestade, né pessoal!?

Se você quiser dar uma lida no documento na íntegra, segue aqui o link: < http://rbti.org.br/artigo/detalhes/0103507X-28-4-1 >.

 

Não sei se você ficou sabendo, mas a Sala Vermelha vem com tudo pra 2017! Olha só nossos projetos para este ano: http://svblog.com.br/2017/01/24/5-projetos-da-sala-vermelha-que-vao-te-fazer-ver-a-medicina-com-outros-olhos-em-2017/.

Ficou curioso e quer saber mais sobre o que vem por aí? Muito simples: é só entrar na nossa lista especial clicando aqui! Não vá ficar de fora… Já são mais de 1000 pessoas na lista de espera para o nosso próximo Workshop!!!

Um abraço!

Pedro Ribeiro

 

Bibliografia:

[1] Levy MM, Fink MP, Marshall JC, Abraham E, Angus D, Cook D, Cohen J, Opal SM, Vincent JL, Ramsay G; 2001 SCCM/ESICM/ACCP/ATS/SIS International Sepsis Definitions Conference. Crit Care Med. 2003 Apr;31(4):1250-6. Review.PMID:12682500

[2] Seymour CW, Liu VX, Iwashyna TJ, Brunkhorst FM, Rea TD, Scherag A, Rubenfeld G, Kahn JM, Shankar-Hari M, Singer M, Deutschman CS, Escobar GJ, Angus DC. Assessment of Clinical Criteria for Sepsis: For the Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA. 2016 Feb 23;315(8):762-74. doi: 10.1001/jama.2016.0288. Erratum in: JAMA. 2016 May 24-31;315(20):2237. PubMed PMID: 26903335. [3] Machado FR, Assunção MSC, Cavalcanti AB, Japiassú AM, Azevedo LCP, Oliveira MC. Chegando a um consenso: vantagens e desvantagens do Sepsis 3 considerando países de recursos limitados. Rev Bras Ter Intensiva. 2016;28(4):361-365

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