Como o modelo PDCA mudou a vida de uma interna de medicina

2 fev

ACT

Você, em algum momento, já se perguntou o que é gestão? Definitivamente é uma palavra pouco explorada na faculdade de medicina, mas pode apostar que você vai esbarrar com ela em algum momento do seu internato.

Hoje, eu vim falar com você sobre um aspecto de gestão: o ciclo PDCA e como ele entrou na minha vida – acredite, pra ficar.

“Najla, eu nunca ouvi falar em gestão. Você acha mesmo que eu sei o que é PDCA?!”

Calma que eu te explico, minha cara amiga! No nosso duro dia a dia de interno, recebemos milhares de ordens em poucos minutos. Foi justamente nesse cenário que um médico amigo me ensinou sobre o ciclo PDCA. Ele me explicou tudo a partir de uma extrapolação do conceito original, enquanto me dava um puxãozinho de orelha…. Merecido, assumo. O que aconteceu foi o seguinte:

Dentro do turbilhão de incumbências do plantão, eu não dei conta da quantidade de solicitações e perdi algumas informações que deveria ter guardado (nada grave – ufa!). Foi então que meu amigo, ao perceber o que tinha acontecido, me introduziu o conceito.

Colocado no papel pelo gestor americano Walter Andrew Shewart, o ciclo foi integrado na área médica para gerar etapas de planejamento da melhoria de um processo – saiba você que esse é instrumento de avaliação interna muito usado na gestão de hospitais e unidades de terapia intensiva – usado inclusive para controle de mortalidade a partir do uso precoce de antibiótico na sepse, por exemplo.

De forma bem resumida, são 4 paalvras que já dizem muito. Plan, Do, Check,  Act. Essas 4 fases devem ser iniciadas a cada novo problema identificado. Presta só atenção:

Plan: identificação de um problema, produzindo um plano resolutivo pra ele (proatividade, menina!);

Do: implementação do plano, atentando para metas que você deseja atingir;

Check: agora, você precisa coletar informações para documentar mudanças (metas alcançadas em “X” tempo);

Act: por fim, você identifica desvios na meta/plano, programando soluções. Não sendo identificados desvios, fica como sugestão da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) realizar trabalho preventivo, buscando quais desvios são passíveis de acontecer no futuro para evitá-los.

PDCA

Agora mais didaticamente falando, trata-se de um “ciclo completo”, com início, execução, checagem e correção de falhas, certo?

Parece bem óbvio, mas quando tomei consciência que, de fato, existe um protocolo para garantir a execução de tarefas de forma mais eficiente, a compreensão dos processos ficou mais clara no cérebro da interna que vos fala.

Agora como você pode usar isso dentro do seu plantão?! Como isso pode te ajudar? Te dou exemplos! Vamos supor que você acabou de concluir uma punção venosa profunda de Veia Subclávia Esquerda, aparentemente sem intercorrências.

Plan – O que e como quero fazer? Radiografia de tórax após a punção para identificar uma possível complicação (pneumotórax?) e posicionamento adequado do cateter no menor tempo possível.

Do – Faço / solicito. Preencho a papelada e entrego para o responsável.

Check – Será que foi feito? Foi concluído corretamente? Checo no sistema se a imagem já foi feita e transferida para o computador.

Act – Resolver algum problema que tenha surgido no processo e evitar que ocorra novamente. Se o pedido por qualquer motivo deixou de ser entregue, o que eu poderia ter feito e farei nas próximas vezes para evitar essa demora no processo? Eu mesma ligarei para o centro de imagens para garantir que o exame seja feito no menor tempo possível. Nesse ponto, reiniciamos o ciclo PDCA com a mudança proposta. E se der certo, bingo! Todos saem ganhando.

cicloPDCA

Dessa forma, você consegue driblar as adversidades da correria do dia a dia e evitar que informações se percam – o que é ótimo para você, interno (acredite em mim, você vai levar menos “puxões de orelha” hehehe), mas ainda mais importante para o protagonista dos nossos dias: o paciente.

E aí? Vai deixar de tentar aplicar isso no seu dia a dia? Não, né? Essa foi minha sugestão pra você #FazerValerAPena e #FazerValerAVida!

Falou gente, até a próxima!

Najla Ximenes

Colaboradora Especial da Sala Vermelha

Dá só uma olhada nos projetos da Sala Vermelha para 2017: http://svblog.com.br/2017/01/24/5-projetos-da-sala-vermelha-que-vao-te-fazer-ver-a-medicina-com-outros-olhos-em-2017/

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  1. Guia da UTI segura, AMIB 2010.
  2. F Haggeas, S Eliezer, N Antonio, P Luis, K Elias. “Gestão em terapia intensiva: conceitos e inovações”.Rev Bras Clin Med. São Paulo, 2011.
  3. Imagem retirada do guia de UTI segura da AMIB, 2010. Pág 13.

 

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